Mostrando postagens com marcador REPORTAGEM DO MÊS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador REPORTAGEM DO MÊS. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de junho de 2013

CALIGRAFIA

Olá pessoal, visitando o blog da Edna Ribeiro- Um Olhar para o Horizonte encontrei um belíssimo texto tratando sobre os tipos de letras, achei o texto muito interessante e bem completinho por isso estou compartilhando.
Vale a pena ler.
Visite o blog da Edna: http://ednarslima.blogspot.com.br/ você vai gostar.

Segue o texto:
Letra feia é um problema?

 

 

 

Por que algumas crianças têm letra “bonita” enquanto outras parecem ter dificuldade para desenhar as palavras?

Se seu filho está no Ensino Fundamental e não consegue fazer aquele traçado redondinho e perfeito das letras, não se alarme: ter letra bonita não é o essencial. Segundo os especialistas no assunto, a questão principal não é a beleza da letra. O importante é ajudá-lo a se exercitar para ter uma letra legível, para que ele possa efetivamente se comunicar por meio da escrita. "O cuidado precisa ser em ajudar a criança a ter uma letra legível, que possa ser compreendida por diferentes leitores, dentro e fora da sala de aula", diz Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila, de São Paulo.
Uma letra legível se conquista com a prática, ressalta a neurocientista Elvira Souza Lima. "A letra da criança precisa ser compreensível para que ela e os outros leiam. E isso só se consegue com treino. A criança que desenha muito dos 3 aos 6 anos geralmente consegue educar melhor o movimento", afirma Elvira, que é doutora em Ciências da Educação pela Universidade de Sorbonne, em Paris.
Além de desenhar, exercícios de traçado e cópias de texto também ajudam a desenvolver os movimentos da mão. E para quem acha que a letra cursiva está ultrapassada por causa do uso cada vez mais freqüente da digitação e do computador, vale explicar: esse tipo de letra tem funções que vão além da comunicação escrita. A letra cursiva ajuda a criança a entender a divisão entre as palavras, a exercitar a memória e também a desenvolver habilidades para outras atividades, como o desenho de mapas e de gráficos. Veja abaixo algumas das principais dúvidas sobre o assunto e as respostas das especialistas:

A COBRANÇA DE TER "LETRA BONITA" PODE PREJUDICAR A CRIANÇA? 
Fazer juízo de valor - determinando se uma letra é "bonita" ou "feia" - pode prejudicar o processo de aprendizagem, segundo Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila. "Não dá para deixar que um tipo de letra traga sofrimento para a criança, que baixe sua auto-estima", diz ela. Andrea também ressalta que o tipo de letra de cada criança revela suas marcas pessoais: "Há crianças que investem no traçado, cuidam de escrever "bonito". Há os que o fazem mais apressadamente e que acabam descuidando um pouquinho do traçado. Enfim, existem muitas explicações para as diferentes marcas de traçado".

CRIANÇAS QUE TÊM DIFICULDADES COM O TRAÇADO PODEM TER ALGUM PROBLEMA DE DESENVOLVIMENTO MOTOR?
"Poucas crianças têm efetivamente comprometimentos na área motora", diz a neurocientista Elvira Souza Lima. E, geralmente, essa dificuldade se resolve com o treino. De acordo com Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila, quando uma criança apresenta problemas de ordem motora, isso não se manifesta somente no traçado da letra cursiva, mas em outras situações que exijam o mesmo tipo de habilidade, ou seja, que requeiram a coordenação motora fina. A coordenação motora fina é aquela que exige domínio dos músculos menores do corpo, como os dos pés e mãos, para atividades como desenhar, pintar e recortar papéis.

É CORRETO QUE CRIANÇAS MISTUREM LETRA BASTÃO E CURSIVA NA ESCRITA?
"A partir do momento em que dominam o traçado e escrevem com fluência e legibilidade, as crianças podem optar pela letra mais confortável, assim como fazem os adultos que, inclusive, mesclam tipos de letras em suas escritas", diz Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila.

OS CADERNOS DE CALIGRAFIA ESTÃO EM DESUSO?
Segundo a neurocientista Elvira Souza Lima, os cadernos de caligrafia estão em desuso no Brasil, mas não em outros países. "O caderno ajuda a desenvolver a noção de organização espacial", diz ela, que defende também que tanto a letra bastão quanto a letra cursiva sejam ensinadas a partir dos sete anos de idade. "Aos seis ainda é tolerável, mas com menos de 5 anos, não", diz ela. Antes dos cinco anos, o que as crianças devem é desenhar livremente.

Já Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila, diz que há outros materiais além do caderno de caligrafia para exercitar o traçado. "Na Escola da Vila usamos um material estruturado, um caderno elaborado por nós com propostas bem diversificadas para esse treino, inclusive para que não se torne enfadonho", explica ela, acrescentando que nesse material há exercícios não só para treinar o desenho de cada letra, mas para copiar trechos de poemas, de canções, dar respostas para adivinhas, etc. "Nesse sentido, somente uma ressalva: o traçado da letra nunca pode ser um obstáculo na produção de textos. As crianças já têm problemas demais ao reescrever um conto, produzir um texto informativo, etc. A letra cursiva não pode ser mais um desafio, que é o que ocorre quando as crianças ainda estão aprendendo a traçá-la e não o fazem com fluência, com agilidade".

NA ERA DIGITAL E DA INTERNET, QUAL A IMPORTÂNCIA DE ESCREVER EM LETRA CURSIVA?
"Socialmente, ainda é um tipo de letra valorizado e bastante usado. Por isso, é importante que as crianças o dominem, que dêem conta de se comunicar com os outros usando essa letra. Do ponto de vista didático, o uso da cursiva pode ajudar as crianças a refletir sobre a necessária segmentação entre as palavras e sobre a própria ideia de palavra", diz Andrea Luize, coordenadora de núcleos de alfabetização da Escola da Vila. A neurocientista Elvira Souza Lima concorda. Segundo ela, a letra cursiva é importante para a educação do movimento e seu exercício ajuda o aluno a desenvolver habilidades que serão usadas em outras atividades além da escrita, como o desenho de mapas. É um exercício que também ajuda a criança a dar suporte à memória, a entender significados. "É muito mais do que simplesmente fazer a letra cursiva", diz ela.

O TIPO DE LETRA DE CADA ADULTO, DE CADA CRIANÇA, PODE SER CONSIDERADO UMA CARACTERÍSTICA PESSOAL?
"A escrita é uma manifestação gráfica da pessoa, traz em si sua identidade", explica a neurocientista Elvira Souza Lima. "Há sempre uma pessoa por trás de um texto escrito. Por isso é tão importante apresentar as várias formas de escrita. Depois a pessoa escolhe pela que melhor lhe convier", diz ela.

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br

domingo, 29 de julho de 2012

FOLCLORE: uma cultura viva


Olá,
fazendo uma pesquisa sobre Folclore encontrei um trabalho bem completo e interessante desenvolvido por estudantes do curso de Pedagogia das Faculdades Porto-Alegrenses, sob a orientação da Profª Dra.Márcia Amaral Corrêa. São elas Adriane Cachambu, Alda Maria Branco Carlos, Andréia Costa Fratini, Denise Rezes Fernandes,Luciane G. Zachazeski,Tatiane Rocha,Tatiane Spolavori.
          O título do trabalho é O FOLCLORE E A EDUCAÇÃO. Aqui estarei postando apenas um recorte do trabalho. Quem tiver interesse e oportunidade acesse o LINK e confira o trabalho na íntegra.
Considerando que as tendências pedagógicas mais recentes consideram a importância da valorização do contexto sociocultural da criança para a sua melhor aprendizagem, pensamos em abordar o conceito e o reconhecimento do trabalho pedagógico com base nas manifestações do saber popular, o folclore. Para um melhor entendimento, serão discutidos seu conceito, características e sua relação com a educação.
Para tanto, faz-se necessária a identificação do significado da palavra folclore, que tem sua origem na língua inglesa: “folk” = povo e “lore” =conhecimento. Logo, podemos entendê-lo previamente como o conhecimento que vem do povo, ou popular. Atualmente, em alguns países, cultiva-se a idéia de que faz parte do folclore apenas o que pode ser transmitido através da linguagem oral e informal, e não dentro do ambiente escolar. No entanto, a Constituição Federal Brasileira expressa, em seus artigos 215 e 216, o seguinte:
Art. 215: O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais;
Art. 216: Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens materiais e imateriais,tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
Nesse sentido, as crenças, lendas, costumes e tradições são bens imateriais, que compõem o patrimônio cultural; logo, estão protegidos juridicamente pelo texto
constitucional citado. Trata-se assim de bens imateriais difusos de uso comum do povo e que podem ser protegidos pela ação civil pública através da Lei 4.3/85. A mitologia, as crendices, as lendas, os folguedos, as danças regionais, as canções populares, as histórias populares, os costumes populares, a religiosidade popular ou os cultos populares, a linguagem típica de uma região, a medicina popular, o artesanato etc., fazem parte do patrimônio cultural brasileiro, sendo representado através das manifestações folclóricas.
No Brasil, há um consenso quanto a esse reconhecimento, pois estudiosos entendem que folclore é o conjunto de manifestações de caráter popular de um povo e constituem fato folclórico as maneiras de pensar e agir desse povo, preservadas pela tradição popular e pela imitação transmitidas de geração a geração. O fato folclórico tem uma série de características próprias: a primeira é o anonimato, isto é, não tem autor conhecido, não foi feito por alguém especificamente; a segunda característica é a aceitação coletiva, que despersonaliza o autor. O povo, aceitando o fato, toma-o para si, considerando-o como seu, modifica-o e transforma-o, dando origem a inúmeras variantes. Assim, uma história é contada de várias maneiras, uma cantiga tem trechos diferentes na melodia, os acontecimentos são alterados e o próprio povo diz: "Quem conta um conto acrescenta um ponto". A mesma coisa acontece com as danças, os teatros e a técnica. Tudo pode ser modificado, porque o povo dança, mas suas danças não têm regulamento. A terceira característica é a transmissão oral, isto é, a que se faz de boca em boca. A quarta característica é a tradicionalidade, não no sentido de um tradicional acabado, coisa passada, sem vida, mas de uma força de coesão interna que define o modelo do conglomerado, da região, do povo, e lhe dá uma unidade. Sem se poder valer de outros expedientes, como professores, escolas, imprensa, as pessoas do povo se valem da tradição, veiculada pela transmissão oral, a fim de resolver suas situações, buscando na lição vinda do passado o que precisam saber no presente. Por fim, a quinta característica é a funcionalidade: tudo quanto o povo faz tem uma razão, um destino, uma função. O povo nada realiza sem motivo, sem um determinante estritamente ligado a um comportamento, a uma norma psico-religiosa-social, cujas origens talvez se perderam nos tempos. A cultura popular pode intervir como elemento moderador no processo cultural, pois dispõe de instrumentos próprios para o equilíbrio necessário ao seu harmônico desenvolvimento, já que, como diz Carneiro (apud BRANDÃO, 1982, p. 84) “A valorização do folclore, o reconhecimento da importância das manifestações populares na formação do lastro cultural da nação, constituem procedimentos capazes de assegurar as opções necessárias ao seu desenvolvimento”.
Dessa forma, é preciso uma reflexão na formação docente, bem como em sua prática, tendo em vista que esse assunto tem suscitado dúvidas quanto a sua aplicação no contexto escolar. Há uma falta de conhecimento por parte dos professores, diretores e corpo docente sobre a especificidade do tema.Normalmente esse assunto é abordado com os alunos somente em agosto, mês em
que se comemora o folclore. Essa abordagem, quase sempre superficial, embasa-se em livros didáticos, que, na maioria das vezes, encontram-se desatualizados, demonstrando, dessa forma, um trabalho estanque e descontextualizado da realidade. O folclore ainda não é visto como parte da vida de todos nós. Há uma certa resistência em aceitá-lo, pois, além de ser visto como uma curiosidade, é considerado por boa parte dos indivíduos como um atraso. A ideia que se tem é de que o mesmo é algo do passado, que conserva os costumes, tradições e lendas de um povo. Ele não é analisado como um imenso leque de temas que fazem parte da nossa cultura, uma cultura que está em constante processo de transformação. Precisamos mudar esta realidade e partirmos do pressuposto de que o folclore é uma cultura viva e dinâmica, que faz parte do nosso cotidiano, embora muitas vezes passe despercebido e seja visto somente nos aspectos ligados a superstições e crendices. Ele se estende a muito mais do que isso: podemos encontrá-lo na linguagem, nos gestos, no lúdico, nas vestimentas, na literatura, na medicina. Seu campo é muito vasto. E é a partir dessa amplitude que o professor deve apropriar-se do folclore e levá-lo para a sua sala de aula.
Acesso em 29/07/2012.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

REPORTAGEM DO MÊS: Consciência Negra

Olá. A reportagem deste mês é sobre a Consciência Negra (copiada do site http://www.educacional.com.br/ “visite”), um assunto muito interessante e importante que temos por obrigação entendê-lo e transmiti-lo às nossas crianças.
Boa leitura para todos. Lembre-se de escrever seu comentário.

Consciência Negra: de Zumbi à Lei 10.639/2003
Por Ederson Santos Lima
19/11/2008

Em 1971, corria a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985). Nesse mesmo ano, a data de 20 de novembro foi utilizada, pela primeira vez, para simbolizar a luta da comunidade negra brasileira por mais espaço e respeito, no sentido pleno da palavra.
Esse dia, escolhido a dedo, é uma homenagem a Zumbi — o líder mais importante do famoso Quilombo dos Palmares —, que morreu em 20 de novembro de 1695. Encravado nos sertões de Alagoas em pleno século XVII, o quilombo enfrentou, durante aproximadamente 100 anos, a ira e a violência de portugueses proprietários de terras e de bandeirantes contratados para exterminar os arraiais de Palmares.
Abrir espaço em uma sociedade que ainda se vê como branca e européia, apesar da enorme miscigenação, é uma batalha que negros e índios, em especial, ainda têm de travar todos os dias, todas as horas. Nesse sentido, as homenagens a Zumbi são muito importantes e, ao serem somadas a atitudes concretas como a promulgação da Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas, poderão fazer aflorar reflexões no mínimo interessantes na sociedade brasileira. 

Resistência escrava: quilombos, o que são e como surgiram
A luta contra a escravidão está presente na História brasileira desde o início da colonização portuguesa. Em 1575, já havia registros escritos que designavam de mocambos os refúgios de escravos que fugiam da violência de seus senhores ou que participavam de levantes coletivos urbanos ou rurais em busca de uma maneira alternativa de vida e de sobrevivência.
Segundo o historiador Flávio Gomes, “as palavras quilombos e mocambos para a maioria das línguas bantu da África Central e Centro-Ocidental significam acampamento. Nos séculos XVII e XVIII, kilombo era a denominação de um ritual de iniciação de uma sociedade militar dos povos imbangalas do nordeste de Angola (denominados também de jagas). Estes povos, falantes do kimbundu, realizaram uma expansão militar para o interior, alcançando os territórios de povos umbundu, e incorporaram os povos conquistados por meio de um ritual, denominado kilombo”. Portanto, a palavra quilombo tem diferentes conotações e possivelmente passou por várias transformações até assumir o significado atual.
De maneira geral, o termo quilombo, nas escolas, nos livros didáticos e no conhecimento popular, designou, por muitos anos, até a década de 80 do século XX pelo menos, um conjunto de cativos que fugiam da escravidão imposta pelos luso-brasileiros, formando uma vila de camponeses negros e mestiços. Mas essa idéia é apenas uma concepção historiográfica, ou seja, elaborada por historiadores, e, nos últimos vinte anos, tem sido muito questionada pelas novas pesquisas realizadas por historiadores, arqueólogos e antropólogos. Essas pesquisas têm indicado que os quilombos se constituíam em unidades produtoras dos mais diferentes artigos, tais como farinha de mandioca, mel, lenha, drogas do sertão e produtos oriundos da criação bovina (GOMES, 2006, p. 123-124).
Com toda essa variedade de produtos, os quilombolas, ao contrário do que se imaginou até a década de 80, não constituíam comunidades isoladas do resto do mundo, mas, sim, procuravam não estar distantes de vilas e estradas para que pudessem, assim, trocar mercadorias e negociar a produção excedente com comerciantes, lavradores e até mesmo escravos que ainda viviam nas senzalas, chamados de assenzalados.

Palmares: do massacre à bandeira de luta
O Quilombo dos Palmares localizava-se na região que hoje é o atual estado de Alagoas — mais especificamente na Serra da Barriga — e que, à época, no Período Colonial, compunha a província de Pernambuco. Nessa região, organizaram-se dezenas de mocambos e quilombos, que reuniam, em alguns casos, dezenas e, em outros, centenas ou milhares de escravos, mestiços, índios e até brancos pobres e marginalizados, como desertores das Forças Armadas.
Os primeiros registros escritos sobre a presença de quilombos no Brasil datam de 1597. O Quilombo dos Palmares, o maior de que se tem notícia no País, chegou a abrigar cerca de 20 a 30 mil pessoas e conseguiu manter relações comerciais e políticas com taberneiros, comerciantes e escravos assenzalados. Muito provavelmente, essas relações políticas e comerciais foram as principais responsáveis pela longa duração desse quilombo que desafiou as autoridades portuguesas por um século. Além da relação de cumplicidade entre os palmarinos (moradores de Palmares) e seus circunvizinhos, outro fator que contribuiu para essa longevidade foi o terreno extremamente acidentado da Serra da Barriga, que dificultava a ação das tropas portuguesas e dos bandeirantes paulistas contratados para destruir os quilombos. 

A destruição de Palmares
Palmares era dividido em diferentes mocambos, que recebiam, em geral, o nome de seus líderes ou comandantes. O mais importante deles era chamado de Macaco e tinha entre seus líderes Ganga Zumba e Zumbi.
Apesar de manter boas relações com seus vizinhos, as forças quilombolas muitas vezes atacavam fazendas ou casas comerciais que mantivessem escravos ou fossem contrários à permanência de quilombos na região. Esses foram os principais fatores que ocasionaram a repressão portuguesa a essas comunidades. Além disso, o número cada vez maior de escravos fugidos inibia a expansão portuguesa para o interior.
A partir de 1680, a idéia de acabar com os quilombos recrudesceu. O bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado com a incumbência de destruir Palmares e outros quilombos próximos. Essa missão durou alguns anos, até que, em 1695, mais exatamente em 20 novembro, Zumbi, cuja liderança e luta pela preservação dos quilombos da Serra da Barriga eram conhecidas em toda a província de Pernambuco, foi encontrado e assassinado.
É importante destacar que o assassinato de Zumbi e a destruição de Macaco, assim como de outros quilombos e mocambos, não provocaram o fim das fugas dos escravos e da resistência negra no Brasil durante os séculos XVII e XVIII. As fugas ocorriam em tal quantidade que obrigaram à fixação definitiva de bandeirantes na região da Serra da Barriga, com o objetivo de evitar o surgimento de novos redutos de fugitivos, que, a todo momento, surgiam nas matas e florestas do Nordeste.
Essa verdadeira saga dos palmarinos e de Zumbi pelas matas nordestinas, relatada em verso e prosa ao longo do tempo, chegou ao século XX transformada em um verdadeiro símbolo da resistência dos africanos e de seus descendentes no Brasil. Hoje, em pleno século XXI, Palmares e Zumbi representam um marco na luta contra a repressão não apenas para a comunidade negra, mas também para todos aqueles — de qualquer etnia, cor ou religião — que, ao longo da História brasileira, tiveram sua cidadania roubada, sua voz calada, sua vida retirada pelo poder político ou econômico.
A Lei 10.639/2003: um pouco de sua história

Cerimônia em comemoração ao 20 de novembro, Brasília
Assinada em 9 de janeiro de 2003 pelo presidente Lula, a Lei 10.639/2003 já está há alguns anos em vigor e ainda gera discussões acaloradas, além de fazer com que professores e outros profissionais da Educação quebrem a cabeça para inserir o estudo da história e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental e Médio de todo o País. Tal ensino deve ser, segundo a lei, priorizado nas disciplinas de História, Artes e Língua Portuguesa.
Essa legislação ainda oficializou a data de 20 de novembro como o Dia Nacional da Consciência Negra.
Conheça essa lei na íntegra.
LEI No 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003
Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B:
"Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3o (VETADO)"
"Art. 79-A. (VETADO)"
"Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’."
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque....
O mestre em Educação Luiz Carlos Paixão da Rocha afirma que a efetivação da Lei 10.639/2003 em sua plenitude e em todas as instâncias da Educação brasileira é um fator extremamente importante “no sentido de desconstruir mecanismos ideológicos que dão sustentabilidade aos mitos da inferioridade do negro e da democracia racial.” A permanência desses mitos no século XXI é um obstáculo de difícil superação e acaba por atrasar o desenvolvimento igualitário das diferentes parcelas da população brasileira.
Perceba como a simples abolição da escravatura, em 1888, não superou a segregação entre brancos e negros no Brasil. Assista no vídeo abaixo.
Abolição. "Agência Brasil.
Licenciado pelo Creative Commons 2.5 Brasil.



Bibliografia utilizada
ROCHA, Luiz Carlos Paixão. Política Educacional e a Lei 10.639/03: uma reflexão sobre a necessidade de superação de mecanismos ideológicos legitimadores do quadro de desigualdades raciais e sociais na sociedade brasileira. In: COSTA, Hilton; SILVA, Paulo Vinicius Batista (Org.). Notas de história e cultura afro-brasileiras. Ponta Grossa: UEPG/UFPR, 2007. p. 25-38.
COSTA, Hilton; SILVA, Paulo Vinicius Batista (Org.). Notas de história e cultura afro-brasileiras. Ponta Grossa: UEPG/UFPR, 2007.
GOMES, Flávio. Quilombos e mocambos: camponeses negros e a experiência do protesto coletivo no Brasil Escravista. In: EDUCAÇÃO Africanidades Brasil. Brasília: MEC, 2006. p. 123-134.
EDUCAÇÃO Africanidades Brasil. Brasília: MEC, 2006.

Fonte: http://www.educacional.com.br/reportagens/ConscienciaNegra/default.asp
Acesso: 02/11/2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

REPORTAGEM DO MÊS: estresse

Olá leitores(as) queridos(as), segue um artigo bem interessante sobre  estresse em professores, é legal nos informarmos para podermos nos cuidar melhor.
Abraço e lembre-se de escrever seu comentário.

Gerenciamento de estresse em professores
As causas são nossas velhas conhecidas, o interessante é saber identificá-las para lidar com o estresse e ganhar qualidade de vida
Por Marcello Árias Dias Danucalov*

A sociedade contemporânea tem sido classificada como a sociedade do estresse. O incessante ritmo da globalização, as constantes alterações tecnológicas, as rotineiras mudanças e “imposições” sociais ditadas pela mídia e pela moda, assim como a progressiva requisição de qualidade nos produtos e serviços exigidos pelo nosso atual modelo social têm impelido boa parte das pessoas a um estado de perplexidade e impotência frente a tais circunstâncias da vida. Para alguns indivíduos, a aquisição de um corpo que se enquadre dentro dos modelos eleitos pela sociedade passa a ser uma obrigação; para outros, a conquista de status profissional é um pré-requisito para a felicidade. Dependendo da intensidade de nossa cobrança, tais desejos podem produzir emoções desastrosas. Ninguém está a salvo das possíveis garras do estresse, e entre suas potenciais vítimas encontramse os professores, quer sejam do ensino básico, fundamental, médio ou universitário. Todavia, antes de versar sobre esta população em especial, é prudente definir melhor o que vem a ser estresse.

Estresse na escola
O estresse é um fenômeno biológico comum e conhecido por todos nós através de nossas experiências. Em sua etimologia o verbete estresse tem como sinônimo o termo “strain” e remonta às origens das línguas indo-europeias. No grego antigo, era a raiz de “strangale” e do verbo “strangaleuin” que significa estrangular. Em latim, a raiz formou o verbo “stringere” que significa apertar. Logo, as raízes do estresse remetem à ideia do empenho de forças fundamentalmente contrárias.
A percepção do estresse é bem antiga. Para os homens primitivos, a perda de vigor e o sentimento de exaustão que sentiam após um trabalho intenso ou exposição prolongada ao frio, ao calor, perda de sangue, medo ou doença teriam alguma semelhança entre si.
Um dos primeiros passos em direção ao entendimento do estresse foi dado por Walter Cannon, fisiologista de homeostase americano que desenvolveu a noção ou de Homeostase ou homeostasia (harmonia ou estado estável) do qual depende a qualidade de vida do ser humano. Esses mecanismos são os responsáveis pela detecção e correção de variações em diversos parâmetros orgânicos. Tendo esses conceitos como base, o austríaco Hans Selye, em 1938 definiu o estresse como um estado de alteração da homeostase, onde o organismo apresenta diversos sintomas que demonstram sua capacidade em adaptar-se aos agentes físicos ou corpo puramente mentais. Sendo assim, o corpo pode ser preparado para lutar ou fugir mediante a visão de um predador real, ou mesmo mediante a imaginação deste.
Diferentes indivíduos possuem diferentes capacidades de resistir às influências adversas do meio ambiente.
Logo, o que pode ser percebido como um fator gerador de estresse para uma pessoa, para outra pode ser um fato corriqueiro. Um indivíduo estressado pode passar por três estágios: no primeiro momento a experiência parece ser muito dura - é a reação de alarme do organismo. Em seguida acostuma-se a ela - é o estado de resistência; e finalmente não pode mais suportá-la – é o estado de exaustão. É este estado de exaustão que caracteriza o estresse crônico, que produz desequilíbrios orgânicos e patologias diversas, também chamadas mais recentemente de distresse.
Entre os principais sintomas encontrados no estresse destacamse a dificuldade de concentração, inquietação, dores de cabeça e musculares, tonturas, fadiga, ansiedade, e até mesmo depressão. Outro agravante tem sido documentado na literatura científica, os problemas associados ao sono. Durante o processo do dormir ocorrem modificações fisiológicas e comportamentais importantíssimas. Há também uma interferência direta nos processos cognitivos e de aprendizagem.
Os dados fornecidos pelas pesquisas científicas são alarmantes, uma vez que durante o estresse o organismo automaticamente utiliza suas reservas de energia para se reequilibrar, ou seja, ocorre uma ação reparadora do organismo tentando restabelecer o seu equilíbrio interno. Nesta fase, dois sintomas aparecem de modo bastante frequente: a sensação de desgaste generalizado sem causa aparente e dificuldades com a memória. No nível fisiológico, muitas mudanças ocorrem, principalmente em termos do funcionamento de algumas glândulas endócrinas, como as adrenais que produzem mais corticosteroides, hormônios que sabidamente minam o sistema imunológico, aumentando assim a probabilidade da pessoa adoecer.

Estresse em professores
Qualquer pessoa que se dispuser a fazer uma pesquisa na internet ou nas bases especializadas em publicações científicas ficará surpreso com a enorme quantidade de pesquisas que apontam a presença de estresse em professores. Algumas delas afirmam que 50% dos profissionais da educação apresentam sintomas associados às diversas fases do estresse, inclusive a de exaustão. Logo, o professor tem sido apontado como uma das maiores vítimas do estresse profissional, mais conhecido como Síndrome de Burnout. Esta síndrome caracteriza-se por um estado de esgotamento físico e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional e é causada por circunstâncias concernentes às atividades profissionais, ocasionando sintomas físicos, afetivos, cognitivos e comportamentais. Inicialmente esta síndrome foi observada em cuidadores da área da saúde que desempenhavam função assistencial. A necessidade de doar-se intensamente a pessoas em situação de necessidade e dependência minava a saúde daquele que zelava por ela. Com o passar do tempo, a Síndrome de Burnout foi identificada em outras profissões, entre elas a de professor.
São inúmeras as causas do estresse profissional do professor: mudanças constantes de currículo; insegurança profissional; incerteza de obter aulas a cada novo semestre; acúmulo de funções que outrora eram realizadas pelas secretarias e por gestores especializados e, sobretudo, falta de reconhecimento. A desvalorização da profissão de professor pelo corpo discente ou pela própria sociedade é um dos maiores responsáveis por este distúrbio. A sensação de impotência do professor pode chegar a extremos, quando este se depara com problemas que não dependem apenas de sua ação para serem resolvidos, principalmente aqueles relativos à degradação do sistema educacional.
Alguns professores ainda afirmam ser bastante desgastante encontrar equilíbrio suficiente para mediar a relação entre os alunos. Sob estresse, ansiedade e muitas vezes quadros de depressão, é bastante penoso chamar a atenção, interromper a aula, motivar os alunos, intermediar conflitos etc. Curiosamente, a Síndrome de Burnout atinge professores motivados, que reagem a este desequilíbrio empenhando-se ainda mais. A desproporcionalidade entre o empenho do professor e os resultados obtidos por este reforça ainda mais sua frustração.
Contudo, e apesar de toda a gama de pesquisas que apontam para a existência deste problema, a solução não pode ficar somente a cargo das instituições de ensino. O estresse é um fato que atinge a todos nós e, portanto, cabe a cada indivíduo treinar habilidades para o gerenciamento de danos, obtenção de níveis mais satisfatórios de autocontrole, de identificação de pensamentos negativos, e de utilização de apoio social para esta finalidade. Estes são os primeiros passos e algumas das alternativas para conviver e se adaptar aos novos tempos na busca pelo bem-estar e melhor qualidade de vida.
Entre os principais sintomas do estresse destacam-se dificuldade de concentração, dores de cabeça e musculares, fadiga, ansiedade e depressão. Outro agravante são os problemas associados ao sono. Durante o processo do dormir ocorrem modificações fisiológicas e comportamentais importantíssimas que interferem nos processos cognitivos e de aprendizagem.

Passos para a superação
Existem contundentes evidências de que o estilo de vida individual e a forma como respondemos às situações rotineiras são em grande parte advindos de um conjunto de crenças, valores e atitudes que se refletem em nossos hábitos cotidianos, ou seja, em nosso padrão de comportamento. Nossos modelos mentais, a forma como observamos e interpretamos o mundo à nossa volta pode ter um elevado impacto sobre a saúde em geral, determinando para a grande maioria das pessoas, o quão doentes ou saudáveis serão em médio e longo prazos. Em resumo, é em face da forma como interpretamos o mundo que surgirão os reflexos positivos ou negativos em nossa qualidade de vida não só atual, mas principalmente na velhice.
Inúmeras práticas atreladas ao campo da medicina comportamental e da psicofisiologia aplicada podem influenciar nosso comportamento diante dos problemas, afetando assim as respostas do organismo frente aos potenciais agentes estressores. O simples ato de participar de cursos ou palestras que atentem para a identificação consciente de nossos estados emocionais inadequados já pode ser um potente deflagrador de mudanças de hábitos limitantes e potencialmente geradores de estresse.

As técnicas de gerenciamento de estresse e de emoções destrutivas contemplam inúmeras etapas. A primeira etapa é a identificação do nível de estresse que o professor se encontra. A segunda etapa é a identificação dos fatores que originam o estado indesejado. Ambas podem ser feitas por meio do preenchimento de questionários comportamentais aplicados por um profissional da área que facilite o reconhecimento dos fatores geradores de estresse. A terceira etapa é a escolha de um instrumento de medicina comportamental que objetive a eliminação de hábitos limitantes e a solidificação de novos e benéficos comportamentos. Isso deve ser feito levando em consideração as características pessoais.
A compreensão dos mecanismos associados ao estresse geralmente é mais bem assimilada depois da identificação de que seu comportamento é fundamentado nas bases estruturais do seu cérebro. Entendendo que o cérebro é passível de mudança assim como um músculo pode crescer depois de determinados exercícios, fica mais fácil compreender que é possível alterar voluntariamente percepções, sentimentos e emoções e os benefícios das técnicas da medicina comportamental são obtidos com mais facilidade. Essas técnicas são destinadas ao gerenciamento pleno e consciente do estresse, e são originadas de várias escolas filosóficas e psicológicas. Praticar meditação (atualmente conhecida com manutenção da atenção plena – mindfulness), realizar sessões de biofeedback ou participar de sessões de Coaching Ontológico são tentativas de manipulações de nossos estados emocionais. Tais práticas têm sido investigadas pela ciência e são comprovadamente eficazes em uma grande parcela de indivíduos.
50% dos profissionais da educação, aproximadamente, apresentam sintomas associados às diversas fases do estresse, inclusive a de exaustão. A desvalorização da profissão tanto pelo corpo discente como pela própria sociedade é um dos maiores responsáveis por este distúrbio.

Técnicas antiestresse

O estudo dos fenômenos mentais, dentre eles os produzidos por meio das práticas de mindfulness já é parte integrante dos interesses da neurociência e pode ser apreciado em grande quantidade de pesquisas científicas. É possível exercitar-se mantendo a atenção em sons, posturas corporais, imagens, pensamentos, ideais e até mesmo sensações. As pesquisas realizadas com praticantes de atenção plena demonstram inúmeras alterações fisiológicas e psicológicas. Sendo assim, a meditação tem sido indicada como auxílio complementar no tratamento de indivíduos portadores de várias patologias, entre elas o estresse, a ansiedade, a depressão, os distúrbios do sono, entre outros.
O Coaching, apesar de relativamente recente, já apresenta uma vasta literatura científica que comprova sua ampla aplicabilidade. Coaching é um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que possibilita um aumento de desempenho e implementação de ações que aproximem o cliente de seus objetivos.
Esta parceria baseia-se no conceito de que temos o potencial para solucionar nossos próprios problemas, cabendo ao profissional contratado (coach) utilizar técnicas comprovadamente eficazes na mobilização comportamental do cliente, possibilitando que ele tome contato com seus hábitos e pensamentos automáticos que são, muitas vezes, autossabotadores e descubra suas potencialidades para auxiliá-lo a determinar o que, onde, como e quando gostaria de realizar em sua vida. Esta técnica tem sido exaustivamente aplicada em diversos setores, tais como o empresarial, a saúde e o educacional. Na área da saúde encontram-se diversas publicações que atestam os benefícios do Coaching.
A terapia por biofeedback tem sido intensamente pesquisada há mais de quarenta anos. Biofeedback é uma palavra que deriva da união de outras três: bios (do grego “vida”), feed (do inglês “alimentar”) e back (também do inglês “retorno ou volta”). De uma forma simplificada, o biofeedback é um instrumento que usa eletrodos de superfície com o intuito de conceder à pessoa uma visualização de suas próprias alterações orgânicas (frequência cardíaca, taxa de sudorese, atividade elétrica cerebral). Paralelamente, técnicas de relaxamento e concentração são ensinadas para que a pessoa, ao realizálas, perceba que as mesmas influenciam as variáveis fisiológicas monitoradas pelo equipamento. Essa percepção serve como um reforço positivo que facilita o aprendizado do controle das manifestações orgânicas associadas ao estresse e ansiedade.
As bases de dados científicas ligadas à área da saúde contemplam inúmeras pesquisas que apresentaram resultados positivos, tais como a utilização do biofeedback para redução de estresse em pacientes portadores de hipertensão arterial, para gerenciamento e redução de dores de cabeça crônicas, para tratamento de portadores de transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade – TDAH – crianças, adolescentes e adultos, para aumentar os processos de criatividade e performance, assim como para controlar distúrbios afetivos a ansiedade.
Qualidade de vida é um constructo muito subjetivo e de percepção individual, ou seja, ela difere de pessoa para pessoa. No entanto, o seu conceito geral, envolve: estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho/ estudo, perspectivas e oportunidades de um bom salário, emprego, lazer e até espiritualidade. Esta última não esta necessariamente atrelada ao âmbito da religião, e sim de identificação de talentos, valores de vida e missão, o que por fim pode conceder certo sentido a nossa vida. Por meio do envolvimento ativo com tais técnicas pode ser possível ao ser humano e ao professor em particular ressignificar as pressões do meio ambiente, concedendolhes diferentes pesos e valores, com intuito último de adquirir uma plena estabilidade emocional durante os períodos de crises da vida.
O estresse atinge a todos nós. Cabe a cada indivíduo treinar habilidades para o gerenciamento de danos, obtenção de níveis mais satisfatórios de autocontrole, de identificação de pensamentos negativos, e de utilização de apoio social para esta finalidade. Autossabotadores

Marcello Árias Dias Danucalov, psicofisiologista com experiência em Técnicas de Integração Cérebro, Mente e Corpo e Biofeedback; Especialista em Fisiologia (UNIFESP); Formação em Coaching Ontológico; Mestre em Farmacologia (UNIFESP); Doutorando em Psicobiologia (UNIFESP); Professor universitário; Acadêmico de Filosofia; Autor de diversos livros e artigos científicos; Sócio-diretor da empresa Appana Mind – Desenvolvimento Humano e Psicofisiologia Aplicada. Contato: http://www.appanamind.com.br/

Acesso em 06/10/2011.